Tenho tido um sonho recorrente com você, mas me aconselharam a não conta-lo...
No sonho, moramos em uma casa grande de madeira com um pé direito alto, perdida em uma praia deserta com uma enorme faixa de areia até o mar, onde venta muito. É um lugar inóspito.
Eu passo os dias a observa-lo de dentro da sala que é toda de venezianas. Você passa os dias a observar o horizonte de um terraço do lado de fora no andar superior. E é assim na maior parte do tempo, poucas vezes você entra na casa para falar comigo e quando o faz é bom, mas na maioria das vezes você fica no terraço e eu dentro da casa sentindo um pavor muito grande pela eminencia de que alguém vai chegar e nos assassinar, é esse o meu sentimento por todo o sonho.
As vezes passam pessoas por fora e olham para dentro da casa pelas venezianas, elas perguntam "quem mora aqui?". Eu fico escondida vendo até elas se afastarem.
Você não parece perceber e eu fico muito tempo tentando te falar como estou apavorada.
Eu sinto as palavras se formarem "vamos embora daqui, por favor. Essa casa nos faz mal", mas eu nunca digo. Primeiro porque você está no terraço inatingível e não se interessa por essas bobagens, segundo porque você parece bem e eu sinto que preciso de muita cautela antes de te dizer algo. Como quando agente deseja pedir algo a alguém que suspeitamos, não irá aceitar. E terceiro, porque literalmente você está sempre olhando o horizonte. É como se eu o visse da altura do seu peito, igual quando se chega próximo a um prédio alto e se olha para cima para poder ver o resto que não está no campo de visão. E assim, mesmo quando próximo a mim você não diz uma palavra, sua expressão é séria, como se você fosse muito rígido e controlador e continua olhando em frente à cima de mim.
Mas hoje o sonho se modificou.
Do nada apareceram filhos, tinham dois meninos por volta dos 9 anos, meninas por volta dos 7, que eu sabia que existiam mas não estavam presentes e um bebê de colo. Estávamos nós e as crianças em uma piscina que atravessava por dentro da casa, a água era salgada pois vinha do mar e entrava pelas venezianas. Depois de um tempo você resolveu sair. Por um momento eu fiquei muito feliz brincando com meu filho pequeno. Você também quando estava na água brincava com ele e ficava feliz. Mas então você tinha ido embora. E o bebe começou a sumir do meu colo e a afundar na água mas eu conseguia recupera-lo. Até que apareceram duas mulheres no terraço que eu só podia ver de costas. Ambas tinham os cabelos grandes mas o de uma era loiro e liso e o da outra, castanho e cacheados, as duas usavam calças e blusas bem largas brancas.
Elas ficavam sempre lado a lado como se a morena precisasse cuidar da loira.
Eu as via e ficava mais apavorada do que já estava. Aí elas sumiram como se entrassem em uma parte da casa que eu não podia ver e a qualquer momento elas conseguiriam chegar onde eu estava. Nessa confusão o filho pequeno sumiu de vez e eu sabia que ele estava morrendo asfixiado ou na água ou porque o chão era feito de vários cobertores e almofadas embolados e como ele era pequeno eu não conseguia encontra-lo no meio de tanto pano. Dentro da casa foi ficando cada vez mais escuro. Eu fui acender as luzes e vi que não dava, então eu finalmente comecei a gritar seu nome para que você fosse me ajudar, você veio mas também era em vão, você não conseguia ver as mulheres e nem achar o filho entre os tecidos. Por fim eu fui até o terraço em busca de luz. Desse lugar dava para ver outras casas , em uma delas tinha um senhor negro bem velho, que tinha ódio de nós. Ele me gritou "quem é você?" e tentou jogar coisas. Por isso eu voltei para dentro de casa tentando que ele não me visse, mas para voltar eu tinha que descer dois lances de escada e quando passava por ele, ele cuspia. Eu voltei para a sala e você me via de fato, você estava prestando atenção em mim, então eu te suplicava "vamos embora daqui, pelo amor de Deus".
Você não falou mas eu senti que você me compreendia... Aí eu acordei...
-Lia-
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