eu sinto uma constante inquietação.
como se dentro de mim tivesse um bicho se contorcendo, uma mente insana aprisionada pelo bom senso.
"eu não caibo dentro desse corpo. tem um grito mudo sufocado entre a minha garganta e o meu peito"
me sinto sempre na beira do precipício, prestes a fazer algo fora do contexto.
ter consciência da própria loucura pode ser bom porque é como ter a chance de se controlar, pode ser péssimo
porque fico a um passo de comete-la e assustador por saber disso tudo e ter consciência de que um dia posso
simplesmente atravessar a linha. inverter os padrões.
o que incomoda mais é a distancia entre o sentir e o executar, entre a criatividade e as possibilidades.
entre a explosão cósmica e a barreira física.
me incomoda muito a dificuldade de execução mas também não incomoda tanto porque aprendi a aceitar meu tempo de incubação
em que uma coisa fica rebolindo dentro de mim sem possibilidade de expressão até o dia que simplesmente vem.
as vezes acho que apenas a morte levada a proporções exacerbadas, um suicídio ou um assassinato seria capaz de atingir
o clímax da intervenção que eu gostaria de fazer. só isso teria intensidade para expulsar de mim o que me atormenta por dentro.
porem uma morte apenas não seria o suficiente para todas as intervenções que eu gostaria de fazer.
e logo mais expulso algo de mim em um momento de catarse, passado um breve tempo a "coisa" volta.
"a coisa" é a melhor parte de todas. a morte é o fim. a morte não é uma boa opção.
mas quando eu achar que o fim está na hora, só a fabricação da minha própria morte poderia me levar a paz.
porque não? a fabricação da própria morte transformada em show...
o ultimo, maior e derradeiro show
- Lia Saboia -
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