sábado, 7 de fevereiro de 2009

De tudo restou apenas o amor

- Agora ele estava deitado com a cabeça apoiada em seu colo, enquanto ela observava as luzes da madrugada que passavam pela janela do carro. já não sabia o que sentia. Parece mesmo que as mulheres foram criadas para ter um "Que" de permanente tristeza - no amor- Sentia-se bela, sempre tivera uma tendência à fantasias de filmes antigos. Aquela hora daria uma bela cena. Sentia o vento frio no rosto. - Olhou para ele tentando entender o que passava em seu coração. Havia muito, tinham ido juntar as suas historias à outras historias, seus corpos a outros corpos, seus amores a outros amores. - Essa noite viviam a mesma historia, que voltava a se entrelaçar. Deu um suspiro exclamado, ao tato dos cabelos dele por entre seus dedos. Esquecera-se de como eram macios. Havia esquecido de como ele tinha os traços suaves, o nariz afilado, a boca bem desenhada, as sobrancelhas, harmoniosos entre si. - A paixão acabara, o desespero, a ansiedade, as mãos suadas em nervosismo, o medo, a timidez... já não existiam. - Mas conhecia aquele homem, os segredos, os anseios, tudo o que se dizia apenas com um olhar. Sentia o corpo dele como a extensão do seu próprio corpo. Também sentia-se conhecida, protegida,segura - a simplicidade que apenas a intimidade dá - suspirou o ar gélido mais uma vez , e disse pra si mesma que passaria o resto da vida ao lado dele... bem, já não sabia mais. - Seguraria muito mais vezes as mãos desse homem que envelheceria, dia-após-dia na monotonia dos anos ao seu lado. Apesar... nunca lhe passou pela cabeça abandona-lo, Talvez o cosmos eterno assim tivesse decidido. Sua paixão era de outro, seu tesão era de outro, mas ele! que agora acalentava em seu colo... não sabia, era inesplicável. Talvez esse fosse apenas o amor quando todo o resto acabou - Amor esse, que aos poucos se esvai - (04 de Outubro de 2008)

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