sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Para Caly

Hoje, somente hoje. Admito que foi quando senti sua falta pela primeira vez desde que você se foi. Acordei com o espírito incrivelmente exuberante, me arrumei, e em tudo meu tinha um toque seu. No topete que fiz com a Franja, no lápis que passei nos olhos. Na verdade tenho feito isso todos esses dias. Comecei a pensar em você ai. Enquanto olhava meus olhos refletidos no espelho, mas ñ os via realmente, porque só via o seu sorriso naquele micro vestido verde ( o que te entreguei sujo, no aeroporto) Sai de casa brilhando. Refiz o que fiz 260 dias durante o ano. Foi bom. Pensei que seria bom o dia todo. Lá, tinha o Zé, a primeira pessoa que vi e tinha o Marcos, a segunda pessoa que encontrei. Mas não tinha Caly, não tinha Luis. Como de costume, mais tarde fui tomar chantilly com capuccino e hoje o chantilly era TANTO, TANTO!!! Que ouvi sua voz ecoando “esse é meuuu!!” enquanto eu, no meu jeito chata de ser; só te olhei sem expressão e continuei calada. Você ficou com o capuccino. Afinal, tinha gritado primeiro, como tantas outras vezes. Mas no fim...quem tomou ele fui eu... Nem foi tão bom assim, na verdade me irritou que ele demorasse tanto para acabar. Que coisa mais aborrecida! Não era dia pra ele ser assim...você não estava ali. Comprei a Vogue Madonna! Que me vi gritando “Carol!!! OLHA!!!” E você até me respondeu com um de seus gritinhos de sensacional “AAAH!!’. Ahahahahaha. E eu ri com meu riso de compreensão idosa e maternal, aquele reservado a você em euforia. (Agora eu vejo como pra você eu sempre fui tão velha e chata) perdão. Perdão na verdade por todas as vezes que eu fui conscientemente fria. Mas foi também você que me delegou o dever de ter esse olhar que censura e cuida de infanta com birra e neurose propositalmente descontrolada. Ou talvez fosse só TDAH mesmo, ahahahahaha. Mas no fim da no mesmo... Eu teria que cuidar de você, assim, sendo sempre mais velha mesmo, para sempre! Tudo bem... acho que já aceitei esse fato, (o que não quer dizer que não me cause irritação.) ( e também como cuidou de mim e segurou minhas lágrimas de dor e paixão. Como nunca deixei cair em ninguém. Agora lembro perfeitamente como se assistisse no cinema aquele dia. Logo que te conheci, me deixei abandonar ou simplesmente não tinha forças nenhuma pra resistir a morte que morri naquele dia. Desabei em sua cama com o choro mais doido que se pode doer, você chegou e deitou minha cabeça em suas pernas. Acho que ficou lá, completamente em silêncio com a minha dor por quase uma hora. Naquele dia aprendi algo que agora não cabem em palavras mas que nunca esquecerei. Sempre, apesar da raiva...é meu corpo...você sabe...sempre volto a esse dia quando me fecho em mim e sinto seus bracinhos abraçando meu ombro por trás! Ahahahaha como pra você eu realmente fui tantas vezes fria...mas eu sei. E obrigada! Que quase nunca você se importou e ai era eu que me via recebendo o balançar de cabeça compreensivo de mãe que se ri por dentro da criança rebelenta. Ahahahaha. É a síndrome de alto suficiência) Comprei também um “Para Francisco” e a ELLE(você não estava aqui) e ai pronto...sai da Siciliano com um buraco no coração. Sentei no banquinho do open moll e fumei meu “sozinha cigarro.” Então comecei a te dizer, ainda em silêncio como hoje, somente hoje. Admito que foi quando realmente senti sua falta pela primeira vez desde que você se foi. (ponto) Hoje Caly, eu poderia morrer. Aaah, como hoje eu gostaria de morrer. E morreria, enquanto triste, feliz e saltitante também! Com a sensação de que tudo estava bem encaixado e fazendo todo o sentido do mundo! Deixando tudo assim, inacabado mesmo. O Luis com a dor do susto pelo inesperado amor, ainda tão tenro, que se foi; os amigos que por alguns dias por rápidos segundos pensariam em me chamar para sair; o telefone não apagado de imediato, o copo vazio; minha família sem mim. A morte do nada com tudo ainda pó fazer que se interrompe, que por algum tempo ainda parece continuar no cotidiano, de tão inesperado que foi. Que feliz Caly, que feliz!! Acabar e só. Foi ai que pensei...” todo dia comum é um bom dia para se morrer...” mas não morri. Ahahahahaahaha. Sei que para sempre, mesmo caso um dia não estejamos por aqui, quem sabe o contato se perca...eu continuarei conversando com você em mim mesma pelo resto da minha vida. (esquizofrenia total ahahahaa, aliás esquizofrenia é a palavra que gostamos e nunca conseguimos lembra dela,lembra?) Não tive vontade ainda e talvez coragem para ler a carta de despedida que você me deixou. E talvez nunca tenha! Assim agente nunca se despede. Pensa no espiritismo, que tudo é transição e complemento e mesmo que realmente distante, sempre perto. Sempre parte do mesmo. Senti sua falta, mas não sinto sua ausência vias de fato. Você está perto, muito perto, como sempre foi. As pessoas me perguntam , “e aiii? Tu ta morrendo de saudades né?” e eu respondo que não. Sinto sim, falta do presente não vivido, mas saudades é o que se foi...elas não sabem, mas você está sempre aqui, ao meu lado. Porem, a coisa que eu sempre soube e queria dizer; se não disse foi porque até então elas estavam tomando consciência em mim até que pudessem ser traduzidas em palavras. Hoje. Na verdade de tão sublime e puro sentir continuo sem conseguir exprimir. É algo mais ou menos assim; “com você aprendi sobre lealdade, afabilidade e sobre admitir-me não bastando-me, somente e sempre, sem exceção nenhuma. Aprendi apesar de ser amante da solidão, à dizer “eu preciso de você” Estou sempre aqui. Com carinho, Lili, Lica, Lilica, Mi, Princesa, Florzinha... ¬¬ (odeio todos eles ahahahahha) Lia S.

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